Vale a pena logar para Despelote?
- Juliana Bolzan
- há 6 dias
- 3 min de leitura
25/11/2025 por Juliana Bolzan

As imagens de comemoração da volta do Remo à Série A do Brasileirão depois de um hiato de 31 anos me emocionaram e imediatamente me lembraram de Despelote, que eu acabara de jogar. Desenvolvido por Julián Cordero e Sebastián Valbuena, o jogo está concorrendo duas vezes no The Game Awards 2025: melhor jogo indie de estreia e jogo de impacto. Esta última categoria tem como descrição “jogos que estimulem a reflexão e tenham significado ou mensagem pró-social”. As lágrimas que me escorreram durante o jogo equatoriano são fruto da mesma alegria que me deu o leão paraense. Mesmo que eu tenha pouquíssima ligação com ambos, a magia do esporte funcionou: transpor barreiras para unir as pessoas num mesmo sentimento.

Despelote tem cerca de 2h de duração e é majoritariamente em primeira pessoa. A seleção de futebol do Equador está prestes a se classificar pela primeira vez para uma Copa do Mundo e seguimos a perspectiva do próprio Julián ainda criança nesse ano de 2001. Sobre arte e inovação ele aprendeu bem: os pais eram cineastas e seu filme mais famoso também foi disruptivo: tornou-se o primeiro longa equatoriano a participar do aclamado Festival de Veneza. É possível detectar a influência da sétima arte nos gráficos de Despelote. A TV de tubo ainda reinava nessa época, e há uma metalinguagem interessante com as telas que vemos na tela. As cores marcantes e quase solitárias ajudam a compor uma atmosfera cult e simples.

E simples é a vida em Quito. Seja na escola aprendendo sobre a geografia do Equador (não fui muito bem na prova 😅), seja indo a festas chatas de adultos que depois viram as suas próprias festas chatas onde aqueles conhecidos são tão distantes. É uma aventura tentar pertencer. O que faz Julián se conectar com o mundo é a bola. Ele a pelota pra lá e pra cá, usando-a como passagem pelos ambientes e como elo com amigos. Numa escala maior, Despelote escancara a beleza de como uma esfera de couro é capaz de conectar milhões de pessoas.

Esportes têm toda uma cadeia transformadora de vidas: são saúde, disciplina, superação, alternativa, coração, nação. Até o individual é coletivo. Lembro-me vividamente das Olimpíadas de Atenas: a pequena sala do diretório acadêmico da Física convenientemente comportava uma modesta TV. Não importou se era horário de aula, havia gente saindo pela janela para ver Daiane dos Santos com seu Brasileirinho. Era clamor a cada pirueta. Torcer em uníssono se compara a cantar a música que você mais ama junto com outras 50 mil pessoas. Não tem como descrever a emoção que percorre todo o seu corpo. Pensar que existem na verdade milhões nessa mesma energia, naquele mesmo momento, comemorando o mesmo feito inédito é de uma potência inigualável. Sorrisos se encontram, abraços se choram, alívios explodem. As crianças entoam hinos e transformam suas brincadeiras em sonhos. De Daianes surgem Rebecas, de Gugas nascem Bias, de Zicos irrompem Fenômenos. E a onda se propaga. O remo nos leva todos juntos. É esse o impacto de Despelote.

Além do TGA, Despelote também está concorrendo no The Indie Game Awards como melhor jogo latino-americano ao lado do brasileiro Pipistrello And The Cursed Yoyo e no Latim Indie Awards na mesma categoria. Nesse caso, além de Pipit, também faz presença o colossal Hell Clock. Despelote tem localização em português e está disponível em todas as plataformas.



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