[REVIEW] Vale a pena logar para ALPHA NOMOS?
Por Caroline Peixoto
O VLH agradece a RibCage Games pelo envio da chave via PressEngine

A relação entre música e videogame mudou bastante nos últimos anos. Gaming Music acabou se tornando um próprio gênero em plataformas como Spotify. Lembraremos de jogos apenas ao escutar músicas como o tema de The Last of Us, Super Mario Bros, ou o plim plim plom de Dark Souls.
Não precisamos falar o nome do jogo para saber de onde vem a música.
É sabido que a música é fundamental nos videogames, ela vai criar a atmosfera ideal. Não dá para esquecer dos passos que demos em Whiterun com uma composição feita por Jeremy Soule, por exemplo. As trilhas sonoras são compostas cuidadosamente para intensificar momentos, com a intenção de tornar a experiência do jogador ainda mais imersiva e emocionalmente envolvente.
Uma trilha sonora vai marcar um jogo. Mas o que acontece quando um jogo é feito de trilha sonora e você é quem muda a forma como ela é cantada?
Um jogo feito de música

Abrir Alpha Nomos segurando o Dual Sense foi uma experiência que tive que me permitir sentir por mais tempo. A batida ritmada em mãos, o estilo de animação 3D, o metrônomo indo de um lado para o outro bem grande na tela, juntamente com o botão para iniciar. Foi uma imersão imediata.
Lançado no dia 12 de outubro na Steam, PlayStation 5 e Xbox Series X|S, Alpha Nomos é um jogo roguelike de 10 horas de história principal, mais um pouco para os completistas e para os que buscam o epílogo. Durante essas horas, cada golpe precisa ser no ritmo, cada esquiva vai contar, até mesmo um simples pulo vai precisar ser no mesmo ritmo do metrônomo que vai te acompanhar na tela.
Você está no papel de Cello, um palhacinho de brinquedo que caiu nesse mundo junto com um outro amigo seu. Todos os outros NPC’s da história são variações de pelúcias. Os inimigos do jogo são os Scrubs — ao menos, alguns deles —, fantoches que vivem nessa “realidade” de brinquedos que estamos vivenciando. O seu objetivo é descobrir onde seu amigo está e também desvendar o mistério que arruinou essa realidade e por que está conectado com essa força chamada ‘música’.
Cada hit um hit!

Cada golpe no ritmo te faz entrar em um estado de fluxo, os golpes acontecem sem que você perceba. Se você segue o ritmo bem, você joga bem. Existem duas formas de fazer upgrades em uma run, com os plugins e os powerups. Os plugins vão afetar diretamente a arma que você está utilizando, já os powerups vão afetar os seus combos e como eles irão reagir contra os inimigos.
A variedade de inimigos conseguiu me surpreender. Muitos jogos AAA não têm a mesma diversidade, e isso é algo admirável em um roguelike, já que vamos ver e rever esses inimigos diversas vezes em várias runs. Alguns inimigos você vai saber que precisa enfrentar antes dos outros, já que eles podem fortalecer o restante. Em outros momentos, você sabe que pode deixar os inimigos grandes para o final, já que eles são mais lentos e dão bem mais dano.
Mesmo tendo essa variedade, o jogo te permite conhecer cada um deles, entender o que eles fazem. É uma diversidade que eu considerei muito boa, me fazia pensar em cada combate, mesmo seguindo o metrônomo e pensando nas recompensas que poderia pegar em futuras salas.
Alpha Nomos não vai brilhar na história, não é o seu ponto forte, mas também não acredito que ter uma história incrível tenha sido a intenção dos desenvolvedores da Ribcage Games. Em várias entrevistas, afirmaram que o foco estava mais na musicalidade e na gameplay. Dá para sentir isso claramente, toda a jogabilidade é fluida e divertida.

Os instrumentos que usamos em cada run de Alpha Nomos serão importantes. Escolhendo o instrumento, você fará a sua própria trilha sonora que vai acompanhar o metrônomo nas próximas áreas. Cada porta vai levar a uma recompensa diferente, e cada recompensa conta.
Será que a run dessa build levará você até o final?
Conclusão

Para os fãs de roguelike, talvez Alpha Nomos acabe não sendo tão suficiente.
São boas horas de jogo, mas algumas coisas vão exigir muito mais paciência e atenção, e para um jogo que exige combos, a frequência em que os inimigos atacam pode acabar frustrando os fãs do gênero, pois vai te forçar a desviar mais do que atacar. A história, apesar do estilo de arte encantador, não vai sustentar aqueles que são fãs hardcore do gênero.
Algo que eu sei é que, para amantes de roguelike, saber o que esperar é o ideal, mas existe uma magia na imprevisibilidade. Infelizmente, Alpha Nomos não vai entregar isso.
No entanto, para quem chegou agora e se encantou com o visual do jogo e com a ideia de uma gameplay ritmada, eu vou recomendar com facilidade. Apesar de não ter ficado muito feliz com a falta de variedade no ambiente em todas as runs que fiz — total de 26, até o momento — sinto que essa familiaridade poderia ser excelente para iniciantes no gênero.
Alpha Nomos é um jogo divertido e fofo. Vou recomendar para quem quer explorar mais o gênero roguelike e como o ritmo pode se encaixar nisso. Além de que, sinceramente, as músicas são muito boas! Principalmente as da sala dos chefes.





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