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[REVIEW] Vale a pena logar para DUSKFADE?

O VLH agradece a Weird Beluga e a Fireshine Games pelo envio da chave via JF Games


Duskfade

O tempo é quase imbatível, tudo finda, exceto o amor dos netos por seu avô e o amor de um avô pelos seus netos. Isso o tempo não vence e não vencerá, nunca! Duskfade é um jogo de aventura e plataforma que se inspira em jogos de PlayStation 2, beirando o subgênero Collectathon. Desenvolvido pela Weird Beluga, estúdio independente espanhol, que soube muito bem trazer a essência dos lendários jogos de plataforma 3D e aproveitar o que há de melhor na atualidade, o combate.


A VIDA É O AGORA

Acompanhamos a história de Zirian, nosso protagonista, que parte em uma longa jornada para salvar sua irmã, Allira, que está sob o domínio da vilã do jogo, a Agonia.


Logo no início do jogo, há uma explosão em nossa casa, não sabemos o que aconteceu e quem realizou isso. Só sabemos que, a partir dessa explosão, surgiu uma Torre de Relógio gigante. Essa mesma torre mergulha a Cidade Ponteiro em uma noite eterna. Nosso objetivo é quebrar as 4 correntes que ligam a torre a quatro partes desse mundo, assim poderemos quebrar esse mal e resgatar nossa irmã, presa nesta torre. E quem nos acompanha nessa jornada é Cuco, uma passarinha muito esperta que vem dessa torre e quer descobrir mais sobre si e ajudar Zirian.


Ao decorrer do jogo, vamos descobrindo mais sobre a relação dos irmãos e, com isso, a informação de que o avô deles faleceu, a âncora deles. Vozinho, assim apelidado por eles, um exímio relojoeiro, era visto com bons olhos pelos moradores da pequena cidade. Cidade essa que é composta não por humanos, e sim por Nuvenosos, povo do céu, imortais, que viveram com humanos quando ainda existiam em quantidade considerável.


Duskfade

Cada fase é dividida em pelo menos 4 diferentes partes, que mudam a gameplay, plataforma e inimigos. Cada fase principal tem dois bosses, um a ver com a história e outro como se fosse um guardião do local. Chefes a ver com a história são sentimentos e estados que podemos nos encontrar durante o luto, como solidão, negação e ira.


Após vencer as batalhas de cada chefe, temos pequenos lapsos de memória com nosso avô e memórias que pertencem à nossa irmã. Assim, entendemos mais a relação familiar entre eles até o Vozinho vir a falecer.


Não entrarei em mais detalhes da história, pois há muitas reviravoltas e momentos incríveis. Só a história já faz valer MUITO testar, pelo menos, a demo.


Duskfade

O BÁSICO BEM-FEITO!

A gameplay se mantém a já conhecida nesse estilo de jogo, pulo duplo, dash e algumas outras habilidades que desbloqueamos ao decorrer da história. Mas impressiona a fluidez, não há nenhum input lag, todo movimento é controlado por você perfeitamente. A movimentação é tão redonda que você pode acessar diversos lugares com pulos simples, apenas tendo o timing correto.


O combate segue na mesma linha, bate, rola e bate de novo, mas as habilidades que desbloqueamos dão um sabor a mais, deixando a gameplay um verdadeiro jogo de xadrez, ainda mais quando a tela enche de inimigos.


Os inimigos do primeiro mapa são recorrentes até o fim, mas sempre é apresentado um inimigo novo a cada fase. Isso não cai no principal problema dos games hoje em dia, muito gráfico e pouca diversidade de inimigos, que torna o jogo repetitivo e cansativo, coisa que o Duskfade nunca irá entregar, pelo contrário. Apenas diversão e combate, às vezes, frenético.



O LUTO

Nossa aventura não se resume apenas a salvar a família que nos resta, mas sim superar juntos a perda de alguém que significa tanto para nós. Perder um familiar é uma das piores dores que podemos sentir. Ali perdemos aqueles que ensinaram os que nos ensinam.


Avôs e Avós são eternos em nós e em nossos pais. São os ponteiros das horas que direcionam os minutos, nós. Há uma frase de um grande filósofo grego que nos ensina um pouco sobre luto: “Não confunda silêncio com falta de luto!” - Kratos.


Kafka também dizia. Você não sabe a energia que reside no silêncio. O luto é um processo confuso, vemos adultos voltando a ser crianças, desejando momentos que não terão mais, mas também amadurecem, entendendo o eterno partir.


Duskfade

DUSKFADE

Se vale a pena logar? COM TODA CERTEZA, diria que é um jogo que NÃO pode passar despercebido. Não se engane pelos gráficos nem um pouco realistas, o jogo está onde ele deve estar. Na história e na jogabilidade.


Duskfade é perfeito para quem ama Kingdom Hearts, Psychonauts e jogos licenciados na época do PS2. Com certeza impressiona por ser um indie, mas também impressiona ao apostar na nostalgia. Joguem Duskfade!


O TEMPO PARA OS QUE FICAM

Duskfade

Abro esse espaço para um momento mais pessoal. No dia em que está saindo essa review, faltarão 13 dias para completar 2 anos que perdi o meu Vozinho. Esse não era relojoeiro, mas, se fosse, seria o melhor. Foi o melhor em tudo, em tudo.


Escrevo isso 2 dias depois do Dia dos Pais e não escondo em dizer que chorei. Vi em Allira minha mãe, a mais velha do meu avô. Alguém que sempre esteve ali com ele e para ele. Vi minha mãe voltar a ser criança, viver por 2 anos de luto em silêncio. Mas sentia a força dela, a mesma de Allira, que ousou desafiar o tempo para ter aquele que tanto ama.


Esse texto dedico ao homem que me ensinou a amar, a sempre estar sorrindo apesar de qualquer coisa e sempre acreditar que tudo que é nosso um dia chega.


“Eu disse que nos encontraríamos logo, sempre te acompanharei.” Vozinho (Duskfade)


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