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[REVIEW] Vale a pena logar para RUE VALLEY?

RUE VALLEY

Inflar o seu currículo no estilo “aumento, mas não invento” pode ter consequências desastrosas. No caso de Rue Valley, foi uma avalanche de avaliações mornas e até negativas a partir da promessa de um novo discolike. O jogo é, no máximo, um discolite: isométrico narrativo com um pouquinho de influência da personalidade do personagem. Isso por si só não o desmerece, o jogo é ótimo. Ele só não é como o marketing o quis vender.

 

É uma pena esse tiro ter saído pela culatra. Embora o iniciante Emotion Spark Studio tenha tido a influência de Disco Elysium, a calejada Owlcat Games poderia ter atuado melhor como publicadora. Inclusive, já passou da hora de localizar seus jogos em português, o que também não acontece aqui.


RUE VALLEY

Estamos na pele (ou sapatos) de Eugene Hollow. Não sabemos quem ele é, só que está hospedado em um local afastado de tudo para fazer terapia. A sessão termina às 20h em ponto e o jogo te larga ali, te deixando acanhado assim como o protagonista. Há alguns objetos em cena, uma ou outra pessoa além do psicólogo. Você segue para fazer as coisas óbvias em um jogo narrativo: explorar o ambiente e conversar, para entender o protagonista e aquele contexto.


Só que, de repente, uma explosão te cega e estamos novamente no sofá do terapeuta encerrando a sessão. Quem jogou o excelente brasileiro A Investigação Póstuma vai logo pegar o espírito da coisa. Eugene está em um loop temporal de 47 minutos.


Still with me, mister Hollow?

Gideon Finck, psicólogo



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Nossa grande missão passa a ser descobrir o motivo de Eugene estar preso nesse ciclo. Apenas ele tem consciência disso e acumula informações através dos loops, enquanto as demais pessoas vivem tudo como se fosse a primeira vez.


O jogo te conduz na investigação, organizando o que você vai descobrindo e o que deve fazer num “lugar mental”. E por boa parte do jogo tudo isso diz mais respeito ao loop acontecer em rue Valley e menos ao que o Eugene tem a ver com isso.


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E digo que de forma alguma essa abordagem prejudicou meu interesse. Ao entender o curto tempo disponível e nos especializarmos em agilizar as ações, descobrimos novos locais e novas pessoas. E pra mim a melhor coisa nem era tentar tirar delas uma resposta para a situação absurda, mas simplesmente conhecer suas histórias de vida.

 

As dublagens são excelentes, ajudando na imersão daquele local que parece ambientado no centro-oeste estadunidense. Foi um prazer gastar vários loops conversando com a proprietária do posto de gasolina, um verdadeiro estereótipo: armada, calçando botas, sotaque pesado e herdeira de rancho. E fui me perdendo nesses personagens até Eugene e seus conflitos internos passarem a ter mais destaque na narrativa.

 

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Essa transição se encaixa perfeitamente no início do loop, quando seu psicólogo está ali disponível para uma perguntinha a mais. E aí as questões de Eugene passam a ser as de todos nós. Sonhos, medos, anseios. É impossível não se reconhecer e passar a responder como se você mesmo estivesse fazendo terapia.

 

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Além da reclamação de não terem recebido um discolike, várias reviews que li queixavam-se da repetição interminável dos mesmos 47 minutos. Mas é um encanto perceber como aquela rotina te dá a possibilidade de aprender e obter algo novo.

 

O mundo de Rue Valley vive sem nós. Há vários segredos esperando para serem descobertos se você fizer um detalhe diferente de antes. Viver a mesma coisa todo dia não precisa ser monótono. Basta mudarmos nosso foco, prestar atenção em aspectos diferentes das coisas e das pessoas que nos cercam. A nossa rotina pode cruzar com a de outra pessoa em mais de um momento e local. É uma bela oportunidade de conhecimento mútuo.

 

Além disso, quando é preciso fazer a mesmíssima coisa várias vezes seguidas, o jogo ajuda acelerando o loop e pulando algumas cenas. Só consigo lamentar por quem não entendeu como essa dinâmica pode ser rica.


RUE VALLEY

O único porém para mim foi a quantidade de vezes em que o jogo crashou. Joguei no Nintendo Switch 2 e foi uma verdadeira luta. Quase sempre o jogo tinha feito um save automático logo antes, mas cheguei a ter que rejogar algumas ações. O loop dentro do loop.

 

Rue Valley me fez rir, refletir, me emocionar. E me deu um desespero em uma das cenas mais angustiantes que passei num jogo. Se você aprecia ler bastante (infelizmente em inglês), conhecer histórias sem pressa e sem se entediar com o simples, recomendo-o bastante.


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