[REVIEW] Vale a pena logar para WELCOME TO ELDERFIELD?
Por Lucas Barbosa
O VLH agradece a Chris Cote e Kwalee pelo envio da chave via PressEngine

O que gerenciamento de fazendinha, JRPG, terror lovecraftiano e lo-fi hip-hop têm em comum? Bom, não muita coisa... Mas Welcome to Elderfield promete ser o elo que vai unir todas essas coisas em um único jogo.
Boas vindas a Elderfield!
Diferentemente de sua clara inspiração, Stardew Valley, em Welcome to Elderfield nós não ganhamos uma fazendinha aconchegante do nosso finado avô numa cidadezinha bucólica de interior, fugindo de um emprego que odiamos, em uma metrópole que odiamos. Nós nascemos na cidade de Elderfield (que de aconchegante não tem nada). Crescemos nas ruas desse estranho lugar, e conhecemos seus habitantes desde criança (ou pelo menos achamos que conhecemos).
Não é preciso andar muito pelas ruas da pequena cidade para se deparar com alguma bizarrice que parece ter saído de um mangá do Junji Ito, ou de um livro de HP Lovecraft. Mas por algum motivo, a população parece estar familiarizada com esse tipo de evento, afinal: “é o jeito que as coisas são em Elderfield”.
Um desses populares é o fazendeiro Hans, que ficou tão entediado na sua aposentadoria, que resolveu arrancar a própria pele. Depois disso, os ossos do seu corpo começaram a crescer sem parar, como se de alguma forma apenas a epiderme o estivesse mantendo no tamanho normal. Ao fim desse bizarro processo, ele se viu como um esqueleto gigante preso dentro de casa, e, incapaz de continuar a cuidar de seus campos, os viu definhar até que não sobrasse nada.
Tocado pela situação do amigável fazendeiro, nosso personagem decide ajudá-lo na tarefa de restaurar sua fazenda aos seus antigos tempos de fartura.

No que se refere à parte “fazendinha”, ela é tudo que você espera de um jogo desse tipo: você consegue algumas sementes da estação, planta, rega, colhe e pode vender. E assim comprar mais sementes e continuar o ciclo enquanto aumenta seus campos verdejantes. A novidade aqui é que o jogo usa muitos elementos de RPG, como dados que rolam toda noite ao dormir e que definem se suas plantações vão crescer muito ou pouco, ou se elas vão criar vida e sair andando pela sua fazenda, literalmente.
Tem JRPG nisso daqui?

Uma das coisas que mais me chamou a atenção quando descobri o game, é além da ideia incrível de juntar terror com gerenciamento de fazenda, seu elemento JRPG.
Veja bem, você geralmente não espera muita luta quando decide baixar um Harvest Moon da vida, certo? Mas dada a natureza sobrenatural de Welcome to Elderfield, algumas vezes vamos ser chamados para certas áreas da cidade, como o esgoto, por exemplo. E lá, as criaturas bizarras serão violentas contigo, ao interagir com elas iniciamos uma batalha em turnos no maior estilo Dragon Quest. Com ataques básicos, rituais, buffs e debuffs. Gerenciamento de mana e esse tipo de coisa. Os inimigos são variados e vai por mim, você não vai querer subestimá-los…
Além do combate, o game também conta com uma simples porém fofinha customização de personagem e diversas armas e equipamentos que vão te ajudar a sobreviver nos lugares mais sinistros de Elderfield.

O Halloween chegou mais cedo
Para mim, Chris Code acertou em cheio na vibe de terror. Desde sua maravilhosa arte feita à mão até a trilha sonora, você fica tenso e desconfortável ao jogar. Essa quebra de expectativa do jogador que está acostumado a uma experiência mais “cozy” nos jogos de fazendinha foi o que me manteve preso ao jogo.
Todos os dias ao acordar a TV transmite um boletim meteorológico que sempre conta o evento estranho do dia que poderemos experienciar, e podemos obter podcasts com os moradores na cidade. Além de ser uma forma muito inteligente de apresentar possíveis quests ao jogador, também entrega um contexto maior sobre a cidade e seus mistérios.

No batidão do lo-fi!
O Low fidelity hip-hop ou lo-fi e suas imperfeições intencionais, caíram como uma luva na trilha sonora do jogo e isso conversa muito com o passado do desenvolvedor. Usando o pseudônimo de “Dated”, Chris Code posta suas músicas desde 2019, essas que sempre tiveram uma pegada mais dark mesmo.
Pessoalmente, eu ouvi muito lo-fi enquanto estudava, algo no ruído das músicas me ajuda muito a me concentrar e ficar mais relaxado. Assim, logo ao abrir o menu principal do jogo já me senti em casa. E sendo bem sincero com vocês, sinto que vou passar muito mais tempo ouvindo a trilha sonora do game no Youtube enquanto escrevo minhas análises, do que de fato jogando.
Mas afinal, vale a pena logar para Welcome to Elderfield?
A resposta curta é sim, vale. No momento em que escrevo essa análise, acabei de chegar na 2ª estação do jogo e só quero jogar mais para evoluir meu personagem e continuar explorando a cidade conforme o jogo recebe mais atualizações.
Citando os pontos negativos, tive alguns problemas técnicos. A localização parece feita com pouco esmero e o idioma voltava para o inglês toda vez que abria o jogo novamente, além da música parar de tocar ao apertar a tecla ESC algumas vezes. Problemas que resolvi relevar, já que este é o primeiro jogo do desenvolvedor.
Se você curte jogos como Stardew Valley, ou leu Uzumaki de Junji Ito e ama referências à obra, são grandes as chances de gostar de Welcome to Elderfield. Na verdade, mesmo após a publicação desse texto, continuarei jogando para descobrir o que essa cidade estranha tem a me oferecer.
Welcome to Elderfield chegou para nos aterrorizar neste dia 10 de Setembro, disponível apenas para PC na Steam por R$56,69 em um desconto de 10% no lançamento. E cuidado para não sonegar seus impostos, ou alguém pode bater na sua porta…






Comentários