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[REVIEW] Vale a pena logar para 1666: AMSTERDAM (acesso antecipado)?

10 de set.
7 min de leitura

O VLH agradece a Panache Digital Games pelo envio da chave via PressEngine


1666: AMSTERDAM


De boas intenções, Amsterdam está cheio!

1666: AMSTERDAM

O que te importa mais em um jogo? Gosto sempre de contextualizar um Review com essa pergunta, pois muitas vezes sinto que nos debruçamos em aspectos "objetivos" de análise para videogame que ignoram completamente a subjetividade das experiências. Comecei falando meio difícil, né? Mas dá para ser mais simples: você prioriza apenas a razão, ou sente que quando se trata de arte, importa mais o que você sente, a "magia"?


Dentre as muitas sensações e reflexões que tive jogando 1666: Amsterdam, essa foi uma das que mais me fisgou! Para quem não conhece, o jogo foi apresentado na Summer Game Fest 2026 e chamou atenção. Seja pela conturbada história de desenvolvimento de mais de década, briga pelos direitos autorais ou pelo badalado nome do diretor criativo Patrice Désilets, conhecido por seus trabalhos em Prince Of Persia e Assassin's Creed, Amsterdam veio ao mundo puxando os holofotes para si. Afinal, ele merece essa atenção? 


Falando sobre o jogo, é importante ressaltar: hoje, este se encontra em seu early access (acesso antecipado). O jogo não está completo, apenas uma parte da história está disponível, parecendo ser menos da metade da experiência total. Essa pontuação é importante porque não reflete apenas questões de história ou tamanho do mapa, mas engloba todos os aspectos que citarei a seguir, tanto positivos quanto negativos, visto que o jogo está em desenvolvimento e possui tempo e espaço para melhora!


Tirando já esse elefante da sala, sim, o jogo tem muitos elementos comparáveis aos jogos AC, mas é uma experiência muito singular em diversos aspectos, diria inclusive que essas particularidades são onde o jogo brilha! De cara, a ambientação, englobando direção artística, trilha sonora, paleta de cores, iluminação e escolhas estéticas como um todo, dão um show! É impossível falar desse jogo sem ressaltar o clima construído através da majestosa Amsterdam do século XVII, que apesar de linda, sabe ser macabra e sufocante quando necessário para a narrativa. Falando nesta, a forma da história ser contada é um tópico bem caro para o game.


1666: AMSTERDAM

Nessa história, somos de cara introduzidos a 3 protagonistas em 3 períodos diferentes do tempo: Aaron em 1999, Noa em 1666 e Clio nos tempos atuais. Na maior parte do tempo estamos controlando Noa acompanhada de Aaron pela cidade de Amsterdam em 1666, com alguns momentos em que ambos viajam para 1999. E onde entra a Clio nisso? Bom, acompanhamos a dupla Noa e Aaron através de Clio, que revive suas memórias enquanto tenta decifrar uma carta de Aaron e um livro de Noa, simultaneamente. Ficou confuso? Eu também! A história do jogo é assim na maior parte do tempo e isso é essencial para experiência.


Veja, Noa parece entender tudo que acontece desde sempre, mas esconde essas informações de Aaron, que nos conta sua história em uma carta fazendo suspense a cada linha. Ele demonstra que iria entender muita coisa no futuro, mas não estraga nossa surpresa. Clio, por sua vez, está aqui para "decifrar" essas memórias e, portanto, é com quem mais nos identificamos em termos de informações e entendimento dos acontecimentos. O lado negativo é que talvez para pessoas mais desatentas, vários nomes, termos e conceitos irão demorar para ser assimilados devido a forma sutil que a narrativa tem de dar explicações. Em contrapartida, para quem está interessado em prestar atenção e entender a lore por trás desse universo, que apesar de complexa não é difícil, vai se deliciar a cada diálogo! 


Falando de gameplay e mecânicas, Amsterdam além de inventivo é muito competente. O combate é bem simples, mas diverte. Não diria ser nem de perto o ponto alto da experiência, mas também não é um fator que atrapalhe o loop de gameplay, pelo menos não durante os capítulos do acesso antecipado. Os combos, possibilidades de ação e a variedade de adversários durante as lutas são básicos e limitados, mas não decepcionam. O jogo possui um sistema de crafting, árvore de habilidades e itens utilizáveis, além de algumas magias disponíveis em combate. Honestamente, podendo mudar de ideia com o lançamento do jogo oficialmente ou com updates, nada disso me encantou pelo tátil ou mecânico da gameplay, apenas pelo fator estético (Amsterdam é lindo até no simples).


1666: AMSTERDAM

Explorando pelas sombras

A parte que mais me deixou interessado no gameplay foi a exploração do mundo! O jogo tem um sistema de detecção focado mais nas aparências do que em stealth de fato. Veja, Noa é uma bruxa em um período de caça às bruxas, logo, não pode dar na cara suas crenças e práticas. Ao mesmo tempo, o jogo se baseia em investigações de alvos específicos, nas quais, sem muitos spoilers, você precisa descobrir o nome verdadeiro, aparência e a localização de objetos específicos desses alvos. Todas essas informações são obtidas através de pistas que você conquista revistando estantes, baús, bisbilhotando, conversando com NPCs e lendo notas.


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A priori isso pode parecer monótono, mas é onde vem o pulo do gato (nesse caso, literalmente falando 🐈‍⬛). Como Noa é uma cidadã pobre e comum, fica difícil ter acesso aos locais dos alvos sem levantar suspeitas, e para isso você costuma utilizar principalmente seu gato. Você consegue controlar o gato de Noa e com ele acessar locais restritos, pegar chaves e atacar seres humanos com medo para possuir seus corpos e levar Noa acompanhada aos locais. O interessante é que o gato só pode carregar um item por vez e as interações de loot, leitura e investigação normalmente só podem ser feitas pela Noa. Ao mesmo tempo que o gato precisa da Noa para abrir janelas, carregar itens e investigar, Noa precisa dele para acessar locais diferentes, possuir pessoas influentes para conseguir acesso a áreas restritas e destrancar algumas portas por dentro.


1666: AMSTERDAM

No controle, alternância e sinergia desses 2 personagens mora o maior charme da experiência de Amsterdam: performar papéis e não levantar suspeitas na multidão sobre seus poderes ou intenções enquanto investiga interessantes inimigos que te entregam boss fights ao final dos capítulos. Com tantas qualidades, Amsterdam parece uma experiência bem diferente e encantadora em todos os sentidos, mas para além dos elogios, vêm os motivos de crítica…


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1666: AMSTERDAM

Boas intenções nem sempre são o bastante…

Deve ser estranho ler isso a essa altura, mas uma parte enorme da minha experiência com o game foi mais frustrante do que satisfatória, e eu explico: otimização e acabamento. A experiência é atravessada pelos meandros mais comuns de falhas de acabamento até os pontos mais básicos de se pensar “ninguém tentou resolver isso antes de liberar esse jogo?” O mais incômodo na experiência são sem dúvidas os problemas de performance. O jogo se destaca muito pela sua estética, como já disse, mas não necessariamente pela parte gráfica.


Apesar de ter modelos bem competentes, os personagens na maior parte do tempo apresentam expressões sem vida. Em diversos momentos você pode ver a cartilha clássica de problemas em jogos mal acabados: NPCs flutuando, entrando no chão, ficando invisíveis, alguns impedindo sua passagem, outros atravessando você como fantasmas e por aí vai. O jogo ter uma quantidade tão absurda de pessoas andando nas ruas me faz pensar: “era necessário tudo isso? Não era melhor ter feito menos NPCs povoando o mundo e focado em fazer estes parecerem vivos?” Um exemplo ótimo vem abaixo, numa cena que me tirou completamente da imersão: Seu personagem atravessa um hotel de cueca durante a história e simplesmente ninguém parece se importar ou reagir.


1666: AMSTERDAM

1666: AMSTERDAM

Deixando esses “detalhes” de imersão de lado, há os bugs que atrapalham sua experiência de forma mais prática. A cada 5 diálogos mais ou menos no começo do jogo e a 15 mais pra frente na experiência, falas inteiras dos personagens simplesmente apareciam em inglês ou nem apareciam nas legendas, mesmo eu jogando em PT-BR legendado. Apesar de irritante, isso não era grande impeditivo, diferente dos momentos em que morria e o jogo bugava, me obrigando a fechar e abrir para renascer. Havia também vezes em que o personagem enganchava em alguma estrutura ou acessava acidentalmente uma área que não deveria e me via obrigado a reiniciar saves para conseguir prosseguir.


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O que mais me incomodou durante a experiência, porém, não foram nem esses fatores que apesar de irritantes pude tolerar por muitos momentos, mas a otimização. Não tenho uma máquina super potente, mas joguei o jogo a 60 ou 30 fps na maior parte do tempo, com gráficos no baixo, com a geração de quadros ativada e mesmo assim tinha constantes travamentos e delays visuais. A título de comparação, com muito menos custo joguei na mesma máquina o Spiderman da Insomniac recentemente a 60 quadros com gráficos no alto e não tive os mesmos problemas.


1666: AMSTERDAM


Você acredita em magia?

Essa montanha russa de impressões positivas e negativas foi o que marcou minha experiência com 1666: Amsterdam! Com isso, não consigo retornar a outro lugar se não a minha pergunta inicial do texto: o que te importa mais num jogo? Sendo sincero, tudo que me impressionou na experiência foi encantador o suficiente para não me arrepender de ter testado o jogo e me convencer a comprar este para apoiar o desenvolvimento dessa obra! Não é comum um jogo ter uma estética tão bem trabalhada e propostas tão inventivas para exploração e narrativa quando se trata de uma nova IP.


Acredito que haja magia em pensar que esse projeto pode crescer e se tornar uma novidade muito bem-vinda para nossa indústria! Mas, se você se apega mais à razão e pensa menos nessas subjetividades do que eu, talvez sinta que é apenas mais um caso de jogo inacabado cujos problemas não tornam possível nem dar uma chance. Penso que apesar de todos os defeitos que citei, Amsterdam me trouxe uma visão encantadora a um nível quase macabro com sua proposta, mas ainda precisa demonstrar evolução técnica para eu me sentir seguro de indicar a todos!


Mas e você, acredita em magia?


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