[REVIEW] Vale a pena logar para ASSASSIN'S CREED BLACK FLAG RESYNCED?
- Vai Logar Hoje?

- há 6 dias
- 7 min de leitura

Minha relação com Black Flag
Com frequência, me pego pensando sobre o que nos faz amar um jogo. Há quem justifique gostar de videogames por se sentir desafiado pelas mecânicas de gameplay, seja na resolução de quebra-cabeças ou na cobrança de habilidade e reflexo do jogador. Outras pessoas são apaixonadas por narrativas, histórias densas e sua capacidade de cativar o jogador, evocando sentimentos profundos. Vejo também quem se identifique com aspectos menos gerais e mais específicos das experiências, como quem é apaixonado pelo colecionismo em um Pokémon, pelo processo de evolução lenta e gradual de um MMORPG ou pela sensação de se provar e derrotar outra pessoa que os amantes de jogos online competitivos conhecem bem.
A questão que me tira o sono é: "e quem se diverte com todos esses gêneros e estilos? Afinal de contas, qual a linha que liga tudo que achamos encantador em um jogo?" Para minha grata surpresa, me vi confrontado novamente por essa questão enquanto ouvia minha tripulação cantar "Leave her Johnny" navegando pelos mares do Caribe. Assassin's Creed: Black Flag Resynced me fez finalmente entender melhor a característica que faz um jogo ser apaixonante ou não, a imersão!
Antes de mais nada, por se tratar de um remake e do 4° jogo de uma franquia (em uma série em que já que houve muitos outros games não numerados), preciso contar para vocês um pouco da minha relação prévia com Black Flag. Falando sobre o título original, joguei no ano do lançamento, salvo engano ainda no mês que foi liberado. Consegui o jogo através da nossa tão amada e odiada pirataria, uma ironia se tratando de um jogo com o mesmo tema. No Xbox 360 tive minhas primeiras horas nesse mundo, mas acabei dropando mais ou menos na metade por problemas no disco (na época era comum em jogos piratas) e por um mau hábito que tinha como jogador: não saber administrar minha experiência nesse tipo de jogo mundo aberto.
Quando criança, tinha um fortíssimo mau hábito de não me sentir em paz para progredir em um jogo enquanto não limpasse uma área (atacava fortemente minha ansiedade a sensação de "deixar coisas para trás"). Portanto, com pouco avanço na história, a cada ilha em que parava me via obrigado a limpar cada colecionável da região. Isso em um jogo do escopo que a Ubisoft está acostumada a fazer, naturalmente levou uma criança a uma fadiga com o mesmo. Aliados, o problema no disco e esse fator de cansaço geraram minha desistência com o título.
A partir daí, o interessante é que como marinheiro (ou pirata) de primeira viagem na franquia, me vi instigado a continuar pela série. Joguei e zerei AC Rogue e Origins. Cheguei próximo de zerar, mas dropei Odyssey pela fadiga, mesmo com minhas 50+ horas de jogo. Testei Unity, Syndicate, Valhalla, Mirage e Shadows mas não progredi fora das horas iniciais em nenhum destes, dropei a maioria por volta das 10 horas ou menos. Apesar de ter desenvolvido carinho pela série, o amor verdadeiro que senti por AC ficou restrito a Origins, pelo qual me apaixonei desde o primeiro contato e fiquei muito próximo de platinar. Nesse contato inicial com Black Flag, acabei ficando sem compreender muito bem meus sentimentos em relação ao título original. Afinal, por que eu gostava tanto?

Como é Black Flag Resynced?
Dados os devidos contextos, vamos ao que interessa: o que eu achei de Assassin's Creed Black Flag Resynced? Tirando as ponderações que vêm de um remake do caminho, mesmo com tantos anos entre as experiências, tive as mesmíssimas sensações ao primeiro contato com os 2 jogos! Isso pode ter se perdido um pouco com os anos, mas Black Flag era lindíssimo na época de seu lançamento. Acho que parte do imprescindível para a experiência desse jogo funcionar são os visuais.
Muito da graça na exploração vem da sensação gostosa de apreciação do mundo. Com o passar das horas o combate pode ficar mais maçante, as músicas menos impactantes ou as quests mais monótonas (como acontece em qualquer jogo, principalmente com a Ubisoft), mas o deslumbramento com o visual jamais te abandonará! É sempre bom destacar o quanto a Ubisoft se dedica na arquitetura de seus mundos, sendo extremamente detalhista com as construções, cenários e precisão histórica. É como viajar no tempo e viver aquela época através do animus!
O aspecto de maior mudança desse jogo é muito provavelmente o combate, que, na minha visão, somente amadureceu. Você tem um pouco mais de recursos, maiores desafios (mesmo sendo um jogo fácil) e bem mais fluidez nesse aspecto. Em termos gerais, o jogo traz de volta o que você gostou do original e só incrementa. Acho importante avisar que a parte do seu assassino ser alguém contemporâneo revisitando a vida de um ancestral a partir do animus até está aqui, mas de uma forma completamente diferente (não quero dar spoiler). Falando em história, esse tópico é extremamente caro para Black Flag!
O plot inicial é super simples e torna muito fácil de entendermos Edward Kenway, nosso protagonista. O pirata é casado com a bela Caroline, cuja família tem boas condições financeiras, e quer dar à moça uma vida digna que possam compartilhar e aproveitar sem preocupações. Infelizmente, na época, não havia muitos meios de ascender à riqueza honestamente e Edward, como um bom homem ambicioso, decide se jogar ao mar por 2 anos e retornar rico para viver com Caroline. A contradição de se afastar da mulher que ama na busca de uma condição que ela nunca pediu, guia a jornada tão ambígua de Kenway até esbarrar em um assassino e descobrir informações confidenciais da ordem que o homem havia traído, que Edward prontamente vaza para os templários, a facção rival.

Se você não conhece a história de AC e achou essa última parte da sinopse confusa, fique tranquilo! Essa é justamente a intenção! Uma das sacadas mais geniais do jogo na minha visão é referenciar os games anteriores ao passo que te coloca na pele de um homem que não entende nada do que ocorreu por ali. Caso você entenda a série, está presenciando uma ótima aplicação de uma arma de Tchekhov e, caso não conheça, aumenta sua imersão e se sente tão perdido e tão contextualizado quanto seu protagonista, em ambos os casos sentindo efeitos engajantes. Os personagens do elenco principal e secundário têm cada um seu charme e isso é o bastante para atiçar o jogador a conhecer mais de cada um nas missões principais e secundárias.
Outro charme de AC Black Flag, talvez o principal, está no mar. Como é divertido controlar o timão do Gralha! O seu navio te proporciona as experiências mais bacanas de combate no game, cujo foco em batalhas navais é muito bem-vindo. O jogo faz muito bem em agradar gregos e troianos (ou melhor, piratas e assassinos) com variação de atividades em terra e no mar, permitindo ao jogador gastar dezenas de horas sem se cansar da experiência.
Voltando a falar sobre o mar, além de ser a parte mais "única" deste AC, é também a que mais me diverte pela disponibilidade de recursos, necessidade de tomadas de decisão rápidas e demanda de planejamento do jogador. Às vezes você se sente em um tabuleiro de xadrez contra os navios inimigos ao mesmo tempo que se deixa levar pelo instinto da pirataria e ataca navios sem pensar só pela ambição de conseguir mais dinheiro. Está aí outro ponto que me chamou a atenção nesse jogo, a moeda!
Um verdadeiro pirata!
Um sistema de economia dentro de um jogo costuma ser um ótimo motor para incentivar o jogador a cumprir objetivos, mas nesse game tinha algo a mais: a imersão. Lembra da história do Edward? O objetivo central desse personagem é se aventurar pelo mundo em busca de dinheiro, então a procura por ouro é muito natural. Quanto ao jogo, como falei, a parte que mais brilha os olhos do jogador tende a ser a exploração marítima, onde é essencial fortalecer seu navio. Há desafios por todos os lados que atiçam sua curiosidade e instigam o jogador a upar o seu personagem e seu navio para enfrentamentos.
Os fortes, os navios lendários e os comboios navais são alguns exemplos do que serve de combustível para entendermos que é imprescindível a busca por ouro. Você sempre se sente compelido a conseguir mais e mais! Por bem, o jogo te oferece inúmeras opções de atividades em que sempre é possível faturar um dinheirinho. Você pode procurar baús escondidos, saquear fazendas, afundar navios adversários, buscar riquezas mergulhando no fundo do mar, roubar nobres, realizar as caçadas de baleias ou animais terrestres, concluir contratos de assassinato ou concluir missões principais e secundárias, por exemplo! O game te incentiva de forma natural a explorar e se desafiar em busca da riqueza.

Com metas bem traçadas e um monte de atividades que possibilitam a obtenção de moedas, a receita está concluída pras suas horas se esvaírem nesse universo. Nesse processo, em algum momento, tomei consciência de que estava me sentindo um verdadeiro pirata. Já não sabia mais quando queria encerrar essa jornada. Todo o ouro que conseguia nunca parecia suficiente. Passava horas no mar e não sabia quando era o momento de voltar para terra (ou fechar o jogo) e prosseguia. Me vi na pele de Edward e me senti maravilhado em como a história dele se amarrou tão linda e profundamente com a proposta do jogo e com o clima criado por um aspecto técnico impecável em ambientação, com trilha sonora e cenários deslumbrantes.
Com um combate bem polido, atividades diversificadas e intercaláveis, um mundo gigantesco, missões secundárias a rodo com histórias cativantes e tamanha imersão, notei que se tratava realmente de um Assassin's Creed. Digo, quase nada disso se perdeu nos títulos seguintes que joguei na série, com exceção de uma coisa: a imersão. Em AC Odyssey, Valhalla, Mirage ou Rogue, nunca me senti tão mergulhado na pele do personagem. Em dados momentos em Resynced, me vi cantando junto com os tripulantes ou dando ordens em voz alta durante uma abordagem (talvez porque sou um pouco bobo).
Acredito que Black Flag alia tudo que é necessário para você mergulhar nesse mundo e se sentir parte dele com uma gameplay gostosa e divertida (apesar dos bugs recorrentes ou a sensação de repetição aqui e ali). O jogo tinha tudo para ser só mais um e passar batido, mas graças a essa sua capacidade de convencer o jogador de que ele é um legítimo pirata, se tornou uma das experiências mais marcantes com videogame na vida de muitos jogadores. Esse game foi capaz de me prender ao mar em uma aventura, à procura de prazeres sem fim, sem saber a hora de parar, tal qual aqueles malditos e tão queridos piratas!



![[ESPECIAL] Death Stranding 2 - On The Beach](https://static.wixstatic.com/media/38ebc4_7b8c3954042344509ae2711ece0afa74~mv2.png/v1/fill/w_980,h_551,al_c,q_90,usm_0.66_1.00_0.01,enc_avif,quality_auto/38ebc4_7b8c3954042344509ae2711ece0afa74~mv2.png)

Comentários