[REVIEW] Vale a pena logar para KUSAN: CITY OF WOLVES?
- Guilherme Fernandes
- há 19 horas
- 4 min de leitura
O VLH agradece a CIRCLEfromDOT e a PQube pelo envio da chave via Keymailer

Na década passada, Hotline Miami mostrou como uma fórmula simples poderia ser transformada em uma experiência brutal, frenética e viciante. Entre neon, sangue e mafiosos, cada sala era um pequeno quebra-cabeça de violência e precisão. O jogo marcou o cenário indie e ajudou a abrir caminho para títulos como Enter/Exit the Gungeon e Ghostrunner.
Ainda assim, poucos realmente tentaram capturar aquela mesma essência de entrar em uma sala, analisar o caos e encontrar a maneira perfeita de sair dela.
Foi justamente por isso que Kusan: City of Wolves chamou minha atenção
Ambientado em uma Kusan cyberpunk e distópica, o jogo acompanha Jin, um ex-soldado que tenta deixar seu passado violento para trás. Cinco anos antes, ele participou de uma operação militar que terminou em tragédia e que continua assombrando sua vida. Agora, Jin se tornou uma espécie de lenda urbana, um mercenário que aceita trabalhos de todos os tipos, desde resgatar crianças até exterminar gangues inteiras.
Só que Kusan está à beira do colapso. Em meio a conflitos políticos e ao abuso dos chamados “psions”, seres com poderes telepáticos transformados em armas desde a infância, Jin acaba envolvido em uma missão que pode decidir o destino de toda a cidade.
A história começa um pouco confusa, mas suas peças vão se encaixando conforme a campanha avança. Em aproximadamente cinco horas, Kusan entrega uma trama cyberpunk de vingança, traição e violência, contada através de belas sequências no estilo graphic novel. A jornada de Jin para recuperar sua humanidade não é exatamente inédita, mas funciona bem graças a um elenco carismático e diálogos rápidos que evitam transformar tudo em uma exposição interminável. Uma dublagem completa faria falta, porém a narrativa consegue ganhar força principalmente em sua reta final.
Vamos ao que realmente importa, a pancadaria
Kusan divide sua campanha em cenas compostas por vários andares que precisam ser completamente eliminados antes de avançar. Cada área funciona como um pequeno quebra-cabeça. Você entra, morre, volta instantaneamente e tenta outra abordagem. Depois de dezenas de tentativas, aquela sequência que parecia impossível finalmente acontece: você atravessa a sala em poucos segundos, emenda uma morte na outra e termina tudo com uma precisão quase cirúrgica.

É aí que o jogo encontra seu melhor estado.
Os diferentes tipos de inimigos exigem abordagens distintas e obrigam você a tomar decisões em frações de segundo. Quanto mais criativamente você mata, maior fica seu combo, sua pontuação e a quantidade de dinheiro recebida para melhorar o arsenal de Jin.
E Kusan vai além do simples “limpar salas” graças ao seu sistema de habilidades. Jin começa com sua manopla cibernética e o Quantum Knife, uma lâmina que pode ser arremessada contra os inimigos e recuperada depois. Com o dinheiro conquistado, novas habilidades são desbloqueadas, como golpes carregados capazes de arremessar inimigos contra outros adversários, diferentes usos para a faca e maneiras de atordoar inimigos.

O detalhe mais interessante é que você não pode equipar tudo ao mesmo tempo. As habilidades ocupam espaços em um painel de chips inspirado em Tetris, e quanto mais poderosa a habilidade, maior seu custo. É simples, mas funciona muito bem: você precisa pensar no seu equipamento e, consequentemente, acaba desenvolvendo seu próprio estilo de jogo.
Visualmente, Kusan também tem bastante personalidade. Os personagens são animais antropomórficos repletos de modificações cibernéticas, enquanto os cenários em pixel art são densos e cheios de detalhes. Mesmo com a ação acontecendo em uma velocidade absurda, é fácil distinguir os inimigos e entender qual ameaça precisa desaparecer primeiro.

O áudio acompanha o ritmo com socos pesados, gritos, sangue e uma trilha sonora comandada pelo sul-coreano Loptimist, misturando hip-hop e música eletrônica. Os loops poderiam ser mais variados, mas combinam perfeitamente com a atmosfera decadente de Kusan.
Infelizmente, existe um problema grande demais para ser ignorado: o desempenho técnico
Felizmente, no PlayStation 5, plataforma em que joguei Kusan: City of Wolves, não tive qualquer problema de desempenho. A ação se manteve fluida mesmo durante os confrontos mais caóticos, algo essencial para um jogo que depende tanto de reflexos e decisões tomadas em questão de milissegundos.
Vale destacar, porém, que existem relatos de problemas técnicos em outras plataformas, especialmente no lançamento para Nintendo Switch e Steam Deck. Como não tive essa experiência no PS5, não seria justo deixar que isso definisse minha avaliação do jogo. Na plataforma em que joguei, Kusan entregou exatamente o desempenho que sua jogabilidade exige.
E é uma pena, porque Kusan: City of Wolves tem muita coisa boa.
Ele entende perfeitamente o que tornou Hotline Miami especial, mas não se limita a copiá-lo. O sistema de habilidades dá personalidade à fórmula, a ambientação cyberpunk é interessante e seus combates proporcionam aquele delicioso ciclo de morrer, tentar novamente e finalmente executar uma sequência perfeita.
Quando tudo funciona, Kusan é rápido, brutal e extremamente satisfatório.
Vale a pena logar para KUSAN: City of Wolves?

Entre sangue, neon e muita pancadaria, Kusan: City of Wolves consegue construir sua própria identidade, só precisava chegar um pouco mais preparado para a guerra.
Kusan: City of Wolves está disponível para PC, PlayStation 5, Xbox Series X|S e Nintendo Switch. No Brasil, o jogo custa R$ 85,50 no PS5 e R$ 72,95 no Nintendo Switch.


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