[REVIEW] Vale a pena logar para TetherGeist?
- Vai Logar Hoje?

- 19 de mai.
- 4 min de leitura
Por Lucas Barbosa
O VLH agradece a O. and Co. Games e a Indie Pups pelo recebimento da chave via PressEngine

Lançado dia 7 de maio, TetherGeist promete ser um plataforma de ação com a precisão da sua maior referência, Celeste. Mas será que o game faz jus a este, que se tornou um clássico entre os jogos indies?
Nascido do legado de um gigante
Sempre que a recorrente discussão sobre o GOTY 2018 volta à tona, as pessoas se dividem entre Red Dead Redemption 2 e God of War. Eu tomo uma terceira via e aponto que Celeste, feito pela Extremely OK Games, foi o melhor jogo daquele ano pra mim, tamanha foi minha ligação com aquele título na época. Até hoje sinto um vazio por não encontrar nada que fosse parecido com a aventura de Madeline, um desafio que requer precisão e paciência, e acima de tudo, resiliência do jogador. Tudo isso envolto em uma história linda sobre uma garota enfrentando sua pior inimiga: sua sombra.
Cá estamos em 2026, e qual não foi minha surpresa ao descobrir TetherGeist, um jogo indie que se inspira no tão aclamado Celeste, mas que não se propõe a apenas seguir os passos do sua inspiração. Ele cria mecânicas novas que fazem um ótimo trabalho em manter o jogador no looping entre morrer em uma plataforma e tentar de novo, e de novo, até conseguir chegar no objetivo.

Vire um mestre na projeção astral
No jogo acompanhamos a história de Mae, uma xamã que chegou na idade de atravessar a “vinculação”, um rito de passagem da sua tribo que consiste em fazer uma projeção astral até a fonte das almas, localizada na montanha mais alta da sua região. Porém, Mae tem uma espécie de “amarra”, que a impede de projetar seu espírito para muito longe de seu corpo físico. Em sua vila, essa dificuldade é considerada uma doença grave, já que junto à sua amarra, Mae é acometida por uma dor forte e incapacitante. Tudo isso fez com que os anciões da tribo a proibissem de seguir sua jornada espiritual.
Nesse contexto, a protagonista decide fugir da vila e passar pela vinculação a pé (ou quase isso). Junto à personagem principal, sempre está seu fiel axolote espiritual Bao. Uma criatura da qual não se sabe bem a origem, mas que acompanha Mae desde seu nascimento. Com a ajuda de Bao, é possível que Mae use certos itens do cenário, chamados de Azae, que conferem diferentes propriedades ao seu espírito, e assim superar os diversos desafios rumo à fonte das almas.
O que era inspiração, se torna uma nova referência no gênero
Os desenvolvedores da O. and Co. Games acertaram muito ao entender o que transformou Celeste em um sucesso quase que instantâneo, sua arte pixelada é linda e agradável aos olhos. Ao conversar com alguns NPCs, vemos retratos estilo cartoon dos personagens, o que resulta numa mistura muito coesa de estilos. Ao decorrer da aventura, passamos por diversos biomas e cidades, que nos mostram como cada um dos seus habitantes enxergam esse mundo e interagem com ele. A música é um ponto à parte, pois as trilhas compostas por Jordan Ottesen trazem vida aos ambientes. Destaque para a faixa “Foyal’s Campfire”, que toca toda vez que vemos um certo rosto amigável.
Na jogabilidade, suas plataformas são difíceis na medida certa e requerem precisão e paciência, mas os controles são responsivos e a física faz todo sentido. Além da mecânica única de projetar seu espírito pra frente, e juntar seu corpo novamente a ele, que lembra um pouco o dash em Celeste, mas com outras implicações.
Pesquisando para a análise, me deparei com a página do jogo no site X. E em uma das postagens, um dos desenvolvedores narra como ele transformou um bug reportado em uma mecânica, por sugestão da comunidade. Uma mecânica quase que escondida e que poucas pessoas, salvo os speedrunners, irão usar. Mas mostra que o estúdio põe os jogadores no centro de suas decisões, como deve ser.
Em nenhuma das minhas mais de duas mil mortes até zerar o jogo me senti frustrado. Pelo contrário, senti vontade de tentar “só mais uma vez”, já que TetherGeist é um daqueles jogos em que o estado de “game over” não se dá em morrer e perder todas suas vidas, mas sim desistir do desafio, se convencendo de que sua amarra é forte demais.

Boas vindas ao novo clássico
Antes mesmo de seu lançamento, TetherGeist já se mostrava digno de atenção, pois ganhou em diversas categorias na última edição do BIG Festival (Best International Games Festival) que acontece aqui no Brasil. Entre elas, a categoria de Melhor Jogo, Maior Impacto, Melhor Arte e Melhor Som. E como citado anteriormente, são aspectos que me fizeram me apaixonar pelo jogo nos primeiros minutos.
Por fim, deixo aqui minha recomendação para que fãs de Celeste e de jogos de plataforma deem uma chance a esse novo clássico, que com certeza é um dos melhores lançamentos que joguei nesse ano.
TetherGeist está disponível para PC e Nintendo Switch, sem previsão para demais consoles. O game conta com localização para o português brasileiro. Vale ressaltar que encontrei alguns erros de tradução, como palavras em espanhol no menu, mas nada que atrapalhe o entendimento.

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belo texto e lindo relato!! Fiquei curioso ao ter visto esse jogo na Gamescom e fico feliz que um dos nossos pode ter jogado essa belezura.