[REVIEW] Vale a pena logar para City Hunter?
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- há 6 dias
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Por Lucas Barbosa
O VLH agradece a SUNSOFT pelo recebimento da chave de City Hunter

Lançado no dia 25 de fevereiro para PC e consoles modernos, City Hunter é um port da sua versão original lançada em 1990 para o PC Engine. Que, por sua vez, é uma adaptação do mangá que leva o mesmo nome. Posteriormente foi adaptado para anime e filmes live-action. A nova versão busca apelar para a nostalgia do público que cresceu com a marca, e talvez galgar espaço entre as novas gerações de jogadores.
No jogo acompanhamos Ryo Saeba, um chamado “varredor” cujo objetivo é limpar Tokyo do crime junto ao seu parceiro Hideyuki Makimura. Eles aceitam vários serviços no maior estilo mercenário, seja investigando empresas corruptas ou assassinando alvos ligados a alguma atividade ilícita.
No primeiro momento, ao ver o trailer, imaginei ser algo no estilo do clássico 8bit “Contra”, mas me enganei. Apesar dos dois serem side-scrolling de ação, as semelhanças param por aí, já que City Hunter tem uma abordagem de exploração, o que dá uma camada a mais de complexidade ao game.
E é nesse ponto que o jogo falha e fica repetitivo, pois suas ações se resumem a atirar em inimigos, abrir portas, falar com NPCs que te dão itens para abrir mais portas, salvar a donzela em perigo, derrotar o boss da fase e pronto, fim do capítulo. Agora repita os mesmos passos mais 2 ou 3 vezes e você zerou o jogo.

Apesar de ser parte central do gameplay, sua exploração é extremamente confusa e você se sente mais batendo cabeça até encontrar a porta certa do que explorando de verdade. A história é rasa e não há nenhuma identificação com o protagonista. Esse sendo extremamente genérico e até babaca em certos momentos, naquele humor problemático que infelizmente vemos até hoje em algumas obras japonesas. Um exemplo são as várias vezes em que o personagem entra em um banheiro e se depara com uma mulher se vestindo, o que restaura sua “energia” (sim, é isso o que acontece).

Um ponto positivo a se comentar nesta nova versão são as adições de elementos de qualidade de vida, como save e load e botão rewind. Além de conteúdo bônus, como o manual do jogo original, a trilha sonora com todas as músicas do game, entre elas uma que acabou não sendo utilizada na versão final, e também uma galeria com artes conceituais do anime dos anos 90.
Mas e aí, vale a pena logar para City Hunter? Do ponto de vista da conservação histórica dos games, fico feliz com esse relançamento. O jogo acaba sendo um belo recorte da época em que foi lançado, e vários jogadores que, como eu, não eram nem nascidos, poderão entender um pouco das limitações que os devs enfrentaram, e que tipo de história e personagem faziam sucesso. Para os veteranos que jogaram sua primeira versão, acredito que a nostalgia não pague os R$ 142,50, valor de lançamento do game em todas as plataformas no Brasil.
Ao final fiquei com um gosto amargo na boca, pois esperava que o game me entregasse uma experiência melhor, visto que a estética “city pop anos 80” do jogo é algo que sempre me interessou, me fazendo até começar a assistir sua adaptação em anime. Mas infelizmente o jogo se autossabota na exploração repetitiva e piadas que já não fazem mais sentido no mundo atual.




Única lembrança que tenho com City Hunter é do trecho de um live action que aparece o Jackie Chan vestido de Chun-li. Eu nem sabia que existia esse jogo, e creio que ele não fez sucesso no meu círculo de amizades dos anos 90. Porque não lembro de ninguém comentar da existência deste jogo. Ótimo review!
Eu tinha boas expectativas pra esse game por conta da estética e ambientação. Que pena que não atingiu o esperado. Belo texto Luquinhas, parabéns!!