[REVIEW] Vale a pena logar para DENSHATTACK!
- Guilherme Fernandes
- há 2 dias
- 4 min de leitura
O VLH agradece a JF Games Press Team, Undercoders, Fireshine Games e Boltray Games pelo recebimento da chave

Às vezes aparece um jogo com uma premissa tão absurda que você olha e pensa "isso não tem como dar certo". Denshattack! é simples. Só que você controla um trem. Parece uma ideia completamente maluca. E é. A diferença é que ela funciona melhor do que eu poderia imaginar.
Me diverti durante todas as minhas horas de campanha e, quando os créditos subiram, ainda fiquei pensando em voltar para pegar colecionáveis, melhorar meus tempos e fechar os desafios restantes. Isso normalmente é um ótimo sinal.
A primeira coisa que chama atenção é o quanto Denshattack! transborda personalidade. Tudo nele tem identidade: a direção de arte, os personagens, os cenários, a interface, a música e até os efeitos sonoros. Emi, a protagonista, é extremamente carismática, bem-humorada e cheia de confiança, conduzindo uma história simples, mas divertida, que abraça sem vergonha aquele clássico "o poder da amizade contra o capitalismo em estágio avançado". Não é uma narrativa revolucionária, mas é impossível não terminar o jogo com um sorriso no rosto.
Neste jogo, você destrói centros de dados de IA, o que é muito punk

Visualmente, o jogo é lindo. O cel shading lembra aqueles títulos mais estilosos do começo dos anos 2000 e faz parecer que estamos jogando um clássico perdido da sexta geração de consoles, só que com tecnologia moderna. Cada cenário consegue superar o anterior em criatividade. Um dos meus favoritos é a fase aquática, onde fazemos grind em peixes-espada, surfamos sobre ondas gigantes e atravessamos um meganavio em alta velocidade. É uma sequência simplesmente espetacular.
Mas o grande trunfo de Denshattack! é a sua jogabilidade
A base lembra Sonic Adventure misturado com Tony Hawk's Pro Skater ou até Skate, já que boa parte das manobras é feita utilizando o analógico direito. Só que a partir dessa ideia simples, o jogo constrói uma quantidade absurda de possibilidades. Você faz grind em praticamente qualquer superfície, anda pelas paredes, sai completamente dos trilhos, pega vácuo no ar, encaixa combos enormes e atravessa fases que parecem montanhas-russas.

O mais impressionante é que tudo isso é extremamente intuitivo. Em poucos minutos você entende o básico, mas existe profundidade suficiente para quem quiser dominar o sistema e buscar pontuações mais altas. O jogo exige reflexos rápidos, principalmente na segunda metade da campanha, porém nunca se torna injusto. Sempre que você erra, reaparece praticamente no mesmo lugar, mantendo o ritmo frenético da partida. É aquele tipo de jogo que faz você pensar "só mais uma tentativa" sem perceber que já se passou meia hora.
E ele nunca para de apresentar novidades
Cada mundo introduz uma mecânica inédita que continua sendo utilizada nas fases seguintes, expandindo constantemente as possibilidades da gameplay. Em vez de descartar ideias depois de alguns minutos, Denshattack! constrói sua campanha em cima delas, fazendo com que tudo evolua naturalmente até os créditos.
Resultado, são 65 fases que parecem ter sido feitas individualmente. Não existe sensação de repetição. Cada uma reserva alguma surpresa, algum desafio específico ou alguma nova forma de explorar suas mecânicas.
Só que, para mim, nada supera os Densha-Duelos.


As batalhas contra chefes são facilmente o ponto alto do jogo inteiro. Cada uma parece saída da cabeça de alguém completamente maluco. Em uma delas você disputa uma corrida enquanto enfrenta um robô gigante rosa; em outra joga uma partida de beisebol contra outro trem em pleno trilho; existe até uma luta que vira literalmente um Guitar Hero.
Sem exagero, cada chefe introduz uma ideia nova e explora brilhantemente as mecânicas aprendidas naquela área. São batalhas extremamente criativas, imprevisíveis e que conseguem arrancar um sorriso do começo ao fim.
A trilha sonora também merece todos os elogios possíveis
São cerca de 80 músicas, compostas por mais de vinte artistas diferentes, totalizando quase quatro horas de faixas. E não existe música ruim. A variedade é absurda: rock, eletrônico, punk japonês, hip-hop e muito mais. Toda fase parece ter sido construída ao redor de sua música, fazendo com que velocidade, ritmo e gameplay caminhem juntos.
Confesso que passei boa parte da campanha abrindo o Shazam para descobrir quais músicas estavam tocando e adicioná-las imediatamente na minha playlist. Quando apareceu uma faixa do Lotus Juice, conhecido pelo trabalho em Persona, eu simplesmente não acreditei.
É impossível falar de Denshattack! sem destacar o carinho colocado em cada detalhe. É um jogo que nunca parece economizar ideias. Sempre existe uma mecânica nova, um cenário diferente, um chefe completamente inesperado ou uma música que muda totalmente a energia da fase seguinte. Ele entende perfeitamente que videogames também podem e precisam ser pura diversão, sem precisar seguir tendências ou tentar parecer algo que não é.
Vale a pena logar para Denshattack!?
No fim das contas, Denshattack! é exatamente aquilo que eu mais gosto de encontrar em um videogame, a criatividade sem limites. É um daqueles indies que pegam uma ideia aparentemente boba e a executam com tanta confiança que acabam entregando uma das experiências mais memoráveis do ano.
Absolute videogame.
Até agora, é facilmente o meu Jogo do Ano de 2026. E eu não imaginava isso, talvez isso me encha mais de alegria e tudo isso por um ótimo preço custo-benefício em todas as plataformas, Nintendo Switch 2, PC, Xbox Series S/X, Game Pass Ultimate e Playstation 5.


![[REVIEW] Vale a pena logar para TOMODACHI LIFE: LIVING THE DREAM?](https://static.wixstatic.com/media/010580_75abd26b4a1241019ffd0afb3121889f~mv2.jpg/v1/fill/w_980,h_551,al_c,q_85,usm_0.66_1.00_0.01,enc_avif,quality_auto/010580_75abd26b4a1241019ffd0afb3121889f~mv2.jpg)

Comentários