[REVIEW] Vale a pena logar para Hell Is Us?
- Vai Logar Hoje?

- há 4 dias
- 5 min de leitura
Por Wilker Teixeira

Quando ouvi falar de Hell is Us pela primeira vez fiquei bastante curioso, mas intrigado. O pouco que falavam sobre o game estava sempre ligado a dois itens: anotações constantes e puzzles elaborados.
O jogo também reforçava essa ideia quando, desde a demo, apresentava essa tela logo de cara:

Não me entendam mal. Alguns jogos que amo como Dark Souls e Zelda Breath of the Wild também são jogos que não entregam informações de bandeja. A exploração é o que nos traz as recompensas.
No meu caso, os puzzles eram a pulga atrás da orelha.
Com pouco tempo que tenho pra jogar hoje em dia, principalmente durante a semana, meu receio era o de ficar 2 horas tentando descobrir como se abrir uma porta.
O lance é que... Tudo isso tinha despertado minha curiosidade. E ela nunca foi embora. Então tentei deixar qualquer receio de lado e resolvi girar a maçaneta dessa porta, entrando de vez nesse universo.
Ainda bem.
Bem-vindos a Hadea
A primeira coisa que costumo fazer quando entro em um jogo é parar e admirar as coisas ao redor. Gosto de ver a beleza dos cenários, dos gráficos, dos personagens...
E minha primeira impressão de Hell is Us foi: “nossa, ele é... feio?”.
Eu não falava da estética. Falava da ambientação.
Tomada por uma guerra civil que se estende por anos, Hadea quase não tem beleza sobrando. E é com essa ambientação mórbida e depressiva que teremos que conviver na maior parte da nossa jornada.

Nossos primeiros passos no jogo são nos arredores da Floresta de Senedra, a primeira região de Hadea. Aqui assumimos o papel de Remi, um homem ríspido, com feição dura, de poucas palavras e que viveu aqui quando criança.
Nossa missão é simples: descobrir o paradeiro de seus pais. No entanto, nada é tão simples assim em Hell is Us.
Uma grande investigação
Como o jogo já tinha avisado antes, ele não vai nos dizer nada.
Sabendo que estamos buscando informações sobre os pais de Remi, é interagindo com o primeiro NPC que o jogo nos dá um panorama de como vai funcionar.
Remi conta com uma espécie de datapad, um diário de anotações onde, a cada resposta obtida durante uma conversa, dados são atualizados e se juntam num esquema de pistas a serem investigadas. É quase como se fossemos um detetive mesmo.

Além das conversas, podemos encontrar documentos descritivos, senhas de portas e cofres e dicas de certos locais com pontos de referência como “procure pelos sinos do vento” ou “procure por um X nas árvores subindo a colina”.
Foi aí que tudo ficou claro: o jogo realmente não vai nos contar nada... MAS O MUNDO DELE VAI!
![]() | ![]() |
Nesse momento minha forma de encarar Hell is Us mudou drasticamente. O receio virou curiosidade e comecei a mergulhar fundo no que o jogo tinha pra me mostrar.

Uma pitada de... soulslike?
Em meio a todo o caos de mortes, tiros e explosões que uma guerra pode causar, criaturas misteriosas surgiram e tomaram conta dos campos de batalha. Sem fazer distinção, elas matam tudo ao seu redor e vão tentar o mesmo com a gente durante o jogo todo.

Acompanhados por um drone de suporte com habilidades variadas, nós utilizamos armas corpo a corpo para lutar. Chamadas de armas límbicas, elas variam entre espadas grandes e pesadas, machados pequenos e ágeis e armas mais equilibradas como espadas normais ou lanças, cada qual com um moveset próprio.
Com elas podemos usar ataques normais, carregados, defender, esquivar e dar parry (delícia), sempre dosando nossa vida e stamina. Tudo isso deixa todo o sistema bem familiar pra quem já jogou qualquer soulslike por aí. Mas não se preocupe. Caso não seja um entusiasta do gênero, o combate aqui é bem menos desafiador. Além de oferecer níveis de dificuldade, o jogo também nos dá diversas ferramentas pra poder lidar tranquilamente com os inimigos.

Uma dessas ferramentas são glifos elementais que funcionam como habilidades de arma e que se baseiam em 4 Elementos Límbicos: Êxtase, Ira, Luto e Terror, cada um com suas vantagens e desvantagens.

Vários inimigos vão manifestar esses mesmos elementos para nos atacar, dando certa dinâmica às escolhas que fazemos. Um ponto curioso aqui é a abordagem dada a essas manifestações. Por exemplo: um inimigo com o elemento Ira vai soltar gritos de raiva pra você, enquanto um inimigo com elemento Êxtase vai gargalhar debilmente da sua cara, detalhe que achei bem legal.

Apesar de contar com todas essas funções, tudo aqui é executado de forma bastante simples. Isso se dá pelo ponto mais fraco do jogo na minha opinião: a pouquíssima variedade de inimigos.
Por estarmos enfrentando as mesmas criaturas ao longo de todo o jogo, pouco senti a necessidade de variar meu estilo de gameplay, o que tornava o combate bem repetitivo. Por sorte ele ainda é bem divertido e isso acaba equilibrando as coisas.
Uma guerra é uma guerra
Se tem uma coisa que Hell is Us faz com perfeição é mostrar os efeitos do conflito que assola Hadea. Muitas cenas são cruas, doloridas e fazem com que a gente se sinta mal. Afinal, a guerra está em todo lugar e o jogo não está a fim de esconder.
É normal estar andando por aí e encontrar corpos espalhados, sobreviventes mutilados e pessoas enterrando entes queridos.

Em muitos momentos nossos esforços estarão direcionados pra ajudar alguém. Você vai ouvir o choro de um bebê com fome e vai querer ignorar tudo até conseguir o que for preciso para alimentá-lo.
A essa altura a realidade do mundo de Hell is Us já veio à tona. Remi não é um herói. Você não é um herói. Pessoas continuarão morrendo. Crianças continuarão morrendo. Só resta se acostumar. O que não significa parar de tentar. Afinal, é o “tentar” que faz desse jogo o que ele é.
Tente.

A beleza de explorar um mundo horrendo
A exploração de Hell is Us é seu maior tesouro! É normal se sentir perdido no começo, achando que precisa anotar tudo pra não perder nenhum detalhe, mas tô aqui pra te dizer: calma.
Lembra que eu disse que tudo funciona de forma muito orgânica? Pois bem. Diferentemente do que eu imaginava, o jogo não nos deixa perdidos em momento algum. Podemos até não encontrar a resposta pra um puzzle mais complexo, o uso pra um item desconhecido ou o que significam alguns símbolos estranhos, mas com o simples ato de “andar por aí e vasculhar cada canto”, as peças vão se encaixando.

Apesar de ter uma estética mais realista, o jogo também brilha quando resolve botar um pezinho na fantasia. Toda a simbologia, elementos de cenário, inimigos e músicas trabalham em conjunto pra trazer um ambiente misterioso, imersivo e também muito bonito.
Com uma trilha sonora carregada de mistério e com todo esse visual, tudo parece ter muita personalidade. Isso ajuda a instigar cada vez mais nossa curiosidade e torna a exploração uma delícia. Quando nos damos conta, estamos totalmente engajados em descobrir mais e mais sobre o que Hell is Us tem a oferecer.

Faça o seu melhor
Hell is Us acabou sendo uma grande surpresa, mesmo quando eu já tinha ideia do que esperar. O jogo cresce muito durante toda a jornada e sempre nos recompensa por explorar, enquanto nos impacta fortemente com os efeitos de um país em guerra.

Não imaginava gostar tanto do jogo e estar aqui escrevendo esse textão todo. Mas senti que ele merecia. Merecia ser falado, merecia ser recomendado, merecia ser jogado.
Se ainda não conhece esse mundo, dê uma chance. Experimente. Jogue. Divirta-se. Se emocione.
Tente fazer por Hadea o que outros não foram capazes de fazer.



![[REVIEW] 1000xRESIST: Uma experiência que permanece e permanece e permanece](https://static.wixstatic.com/media/010580_e6489ee4752b4b6a88a17186cdd2e666~mv2.jpg/v1/fill/w_980,h_551,al_c,q_85,usm_0.66_1.00_0.01,enc_avif,quality_auto/010580_e6489ee4752b4b6a88a17186cdd2e666~mv2.jpg)


darei uma chance, um dia. Mais um belo texto! invicto.