[REVIEW] Vale a pena logar para RESONANCE: A PLAGUE TALE LEGACY?
Por Zé Paulo Castro

Resonance é a terceira empreitada da Asobo Studio na excelente franquia "A Plague Tale".
Depois de 2 jogos protagonizados por Amicia e seu irmão, Hugo, lastreados, principalmente, na narrativa densa e jogabilidade furtiva, o novo game da série é uma prequela que conta a história de Sophia, marinheira experiente que havia ajudado os dois irmãos em Requiem, e foca mais na ação em combate e puzzles, ainda que não deixe de lado os tradicionais segmentos stealth.
A mudança no foco do gameplay traz bastante frescor a Resonance e demonstra a capacidade da desenvolvedora de construir games variados em gênero.

Uai! Essa série não era de andar abaixadinho?
Resonance passou toda sua campanha de marketing focando em deixar claro que seria uma aventura de ação.
O combate é baseado em ataques simples, parry, esquiva e contra-ataques críticos. Nada complexo ou inovador, mas funciona muito bem, ainda que tenha dificuldade de posicionar a câmera quando enfrentamos múltiplos inimigos.
A evolução do combate é pouca ao longo da aventura e é baseada em uma pequena árvore de habilidades que desbloqueamos com pontos de ressonância, ganhos na exploração dos cenários e após a conclusão de momentos de luta. Há também a adição de atributos passivos igualmente encontrados explorando as fases do jogo. Outro aspecto relevante são as armas. O game possui algumas espadas distintas, cada uma com atributos específicos. Elas são encontradas em túmulos distribuídos pelos níveis e normalmente exigem a resolução de algum enigma simples.
As janelas de parry e esquiva são bastante confortáveis, o que permite uma sensação de fluidez muito bacana para as lutas.

As batalhas de chefe, normalmente, são duelos de combate onde temos que usar as habilidades estruturais do jogo. Não são nada memoráveis, mas são poucas e funcionam especialmente para a construção narrativa.
É excelente o equilíbrio que Resonance entrega ao longo de suas 15h de campanha. Os segmentos de combate não são longos e se alternam com muitos momentos de resolução de puzzles, partes furtivas, cutscenes. Essa alternância bem pensada gera uma sensação muito prazerosa no momento a momento do game, não deixando cansado quem está com o controle nas mãos.
Com relação aos puzzles, gostei bastante deles. Não há nenhum cabeçudo ou muito complexo, mas são todos gostosos de resolver. Quase sempre estão relacionados ao uso de luz e cores e/ou correlação de símbolos.
A parte furtiva não é muito exigente, mas explora bem o tom sombrio de várias partes da história, gerando tensão e nos aproximando dos sentimentos de Sophia.

Afinal... quem é essa moça? Qual a história dessa vez?
Como disse anteriormente, a história de Resonance atravessa a vida de Sophia, desde bem antes de ser conhecida como “Escorpião dos Mares”, no segundo jogo da série.

Sophia come o pão que o Diabo amassou do início ao fim do jogo. As visões sombrias que ela tem relacionadas à Ilha do Minotauro despertam sentimentos e ações destrutivos em grande parte dos que cercam a protagonista. Explorada, usada, aprisionada... Sophia vive sua vida numa corda bamba, sustentada pelo seu amor pelo pai e pelo povo da vila onde mora. Até que........ vou deixar essa parte para descobrirem por si.
Ah.., vocês leram “Minotauro” mesmo. O game se utiliza do mito do Minotauro e, através de construções narrativas que só podem ser feitas em uma mídia imersiva e interativa como nossos amados videogames, consegue algumas quebras de expectativa maravilhosas no decorrer da aventura.

Sinto que o jogo não é tão bem sucedido em construir os personagens de apoio. Tirando a Leni, que nos acompanha por boa parte da jornada, os demais personagens são meio fragmentados demais, o que acaba diminuindo o nosso vínculo com eles.
Confesso que não gostei da forma com que o jogo termina e “tenta”, entre aspas mesmo, se vincular à série. Ainda assim, no geral, a narrativa faz muito bem seu trabalho e prende a atenção por toda a jornada. Além de, como disse antes, conseguir alguns twists beeeem interessantes.
Esse é um jogo por fases?
Resonance é um jogo por fases. A estrutura linear do game é muito bem realizada. Os cenários são ricos e possuem alguns caminhos distintos para chegarmos aos objetivos. Os níveis têm a duração bastante adequada.
Achei legal demais a forma como o game aponta as direções ao jogador através do livro de anotações e desenhos das visões de Sophia. Eleva bastante a interação com o ambiente e incentiva o observar mais atento.
Os visuais, som e cinematografia são legais?
O visual segue a mesma linha de Requiem. A apresentação é linda, tanto do ponto de vista técnico, quando artístico. A Asobo sabe trabalhar o escopo do game e deixa as animações bem simples, focando seu esforço no detalhamento, iluminação e riqueza dos cenários, que conseguem transmitir perfeitamente a beleza, o sombrio, o misterioso.

A trilha sonora completa a ambientação lindamente. Sempre pontuando as sensações que o jogo quer que tenhamos, destacando momentos mais épicos, momentos mais dramáticos.
As setpieces de ação são legais e elevam muito a cinematografia do game.
Em termos de performance, joguei no Xbox Series X e o game rodou perfeitinho a 60 quadros no modo desempenho.
Vale a pena logar para Resonance: A Plague Tale Legacy?
Diria, inclusive, que vale a pena logar para toda a franquia “A Plague Tale”.
Resonance é mais um grande jogo da série. Dessa vez inspirado numa vibe mais Uncharted, mas preservando aquele mesmo sentimento dramático característico dos demais jogos e mantendo também a mesma qualidade geral de seus predecessores.
Outro aspecto interessante: Resonance é um ótimo game de ação e bastante autocontido e autossuficiente, podendo ser jogado até por quem nunca se aventurou na franquia.
O jogo foi lançado em 26 de agosto e está disponível para Xbox Series, também no catálogo do Gamepass Ultimate, Playstation 5 e PC.





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